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Mai 11

 

JOÃO TORRES - UMA HISTÓRIA UMA CONTRADIÇÃO MEU ORGULHO - HOMENAGEM AO MEU ANCESTRAL

Os ciganos estão no Brasil, oficialmente, desde 1574, quando o português João Torres e sua esposa Angelina foram presos em Portugal e enviados à Colônia. O crime do casal: ser cigano.

Segundo o historiador, geógrafo e professor da PUC mineira Rodrigo Teixeira, autor do livro
História dos Ciganos no Brasil (adaptação de sua tese de mestrado), João Torres foi condenado ao trabalho forçado em galés e Angelina foi obrigada a deixar Portugal. Em seguida, conseguiram uma mudança na pena e foram expulsos para o Brasil. Nada mais é
constatado.

Não é possível dizer se eles chegaram na companhia de quantos filhos nem por quanto tempo ficaram no Brasil. Na verdade, desde então, não se sabe ao certo quantos são os ciganos brasileiros e em quais regiões do País eles vivem. A única certeza em torno de suas trajetórias é o secular preconceito e a crônica desinformação de que são vítimas.

No imaginário da maioria da população, não só brasileira, mas mundial, figura um cigano malandro, ladrão, indigno de qualquer confiança. “Não vimos e não gostamos” parece
ser a máxima dos que evitam e desprezam os ciganos há pelo menos 4 mil anos, em várias
partes do mundo.

Tentando reverter esse cenário no Brasil, o Governo Federal, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), criou o Prêmio Culturas Ciganas. O primeiro edital, que homenageou João Torres, foi aberto em 2007 com objetivos declarados de valorizar e dar visibilidade às iniciativas culturais dos ciganos e, assim, fortalecer as expressões e a identidade desses povos.

Foram 20 projetos contemplados — de nove estados brasileiros – e cada um deles recebeu R$ 10 mil. Para o secretário da SID, Ricardo Lima, o prêmio é uma forma de reconhecer
a grande contribuição que as culturas ciganas deram à formação da cultura brasileira.
Na sede paulista da Associação da Preservação da Cultura Cigana (APRECI), a ação do governo é vista como positiva, apesar de ser considerada insuficiente.
O prêmio Culturas Ciganas é encarado como um arregaçar de mangas para um esforço maior que ainda precisa ser feito.
Na opinião de um dos principais ciganólogos do país, Asséde Paiva — que estuda o tema há mais de 10 anos e organizou o site www.ciganosbrasil.com , a atitude do governo é louvável, mas a ajuda pode ir além. “É preciso respeitar os ciganos tal como são, desistir de inclusão forçada, criar acampamentos para eles, criar escolas itinerantes e dar-lhes acesso aos hospitais. Afinal, são brasileiros e ciganos”.
 
Da mesma “bancada”, discursa Márcia Guelpa, conhecida como a cigana Yáskara, denunciando o espaço (ou falta dele) cedido ao seu povo na constituição brasileira. “Todas as Constituições Federais sempre ignoraram a existência de ciganos. O governo brasileiro nunca soube, e ainda não sabe, exatamente, quem somos. Daí a indiferença gerada por essa ignorância. O governo Lula, não podemos negar, tem nos dado oportunidade para tornarmo-nos cidadãos. Mas ainda está longe de agir com a eficácia que queremos.
O Prêmio já é alguma coisa e somos gratos, pois sabemos que o reconhecimento do povo cigano acontecerá em doses homeopáticas”, defende Yáskara é uma cigana sedentária que deixou a vida nômade e se fixou em uma cidade, formada em Letras e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP). Indiana naturalizada brasileira, ela divide seu tempo entre muitas atividades de defesa de sua cultura no Brasil. É presidente do Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana (CERCI), representa a APRECI na Comissão Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais e fez parte da comissão julgadora do Prêmio Culturas Ciganas.

Para ela, o prêmio “parece bom se consideramos que os ciganos nômades brasileiros podem vislumbrar, pela primeira vez, a possibilidade de não mais serem vistos por impatias românticas ligadas ao folclore, ou por uma certa curiosidade intelectual mesclada de compaixão”.
 
A iniciativa do Governo Federal, no entanto, não é unanimidade entre os ciganos. Cláudio Iovanovitchi, presidente da APRECI de Curitiba, de onde a entidade acabou por se expandir para outras cidades, discute a legitimidade do prêmio e cobra do governo atitudes mais eficazes no trato com a comunidade cigana. “Esse edital não representou nada para o nosso povo, pois a maioria dos contemplados não era cigana.

O MINC apoiou o mestiço e o folclórico”, reclama. Da teoria à prática, é possível ver o impacto do prêmio na vida da cigana paulista Azimar Orlow. Entre retalhos coloridos e saias rodadas, ela ajuda algumas comunidades a tecer uma saída financeira para a difícil vida que muitos ciganos levam em seus acampamentos.

Mesmo achando que sua produção de colchas e saias não chamaria atenção da comissão julgadora, ao tomar conhecimento do Prêmio, Azimar decidiu se inscrever: vendeu a idéia de um projeto sobre arte cigana que utiliza restos de pano para fazer peças como saias, bolsas, cortinas e, principalmente, colchas. “Ciganos: de Retalhos e Fuxicos” foi uma das iniciativas aprovadas. “Comprei algumas máquinas de costura usadas e agora está sendo mais fácil fazer as colchas, pois o nosso trabalho estava imitado por falta de equipamento”, conta. “O uso de retalhos e fuxicos não só valoriza um costume cigano, notadamente em processo de esquecimento, como amplia as ossibilidades de subsistências”, orgulha-se.

No íntimo das tendas A história dos ciganos parece ter ficado escondida debaixo dos panos coloridos que enfeitam as residências móveis. É mínimo o conhecimento sobre o tema que escape das lendas, preconceitos ou estereótipos. A ignorância muito se deve aos poucos documentos e escritos sobre assunto, à negação ao diferente, à característica reclusa do próprio grupo e ao fato de a língua cigana ser apenas falada.

FONTE: REVISTA ENREDO Nº 1 DEZEMBRO/2008 Distribuição Gratuita
MATÉRIA: "Patrimônio - O Legado da Cultuta Cigana"
Governo do Estado do Ceará
Instituto Arte e Cultura do Ceará
publicado por Cigano Cristiano às 15:28

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